Monumentos do Algarve

Ruínas da "Villa" Romana da Abicada

  • Apresentação
  • Como Chegar
  • Informações
  • História
  • Paisagem
  • História do Achado
  • Bibliografia
  • Ligações

Apresentação

As ruínas da "villa" da Abicada, da Época Romana, localizam-se no extremo de uma península integrada no ambiente peculiar da Ria de Alvor.

A parte conservada da "villa" corresponde à residência do proprietário ("pars urbana"), com vestígios de ocupação entre os séculos I e IV d.C.

Esta construção integrava-se numa arquitetura de tipo mediterrânica, que aproveitava a beleza da paisagem e o clima ameno para criar um ambiente de qualidade arquitetónica para os seus habitantes.

A casa ("domus") apresenta uma planta rigorosamente geométrica, composta por três construções unidas a sul por uma galeria em pórtico, "que abria a vista para a ria e para o mar".

Belos mosaicos, com composições vegetalistas e geométricas de diversificadas cores, revestiam os pavimentos dos compartimentos.

Junto da residência existia possivelmente um cais que permitia o acesso navegável à ria e ao mar.

Como Chegar

Acesso:

De carro pela EN125, na direção Portimão - Lagos, 1300 metros depois de passar pelo "Hotel Penina", no lado esquerdo encontra a placa sinalizada com indicação "Abicada". Percorra 1400 metros (aproximadamente) de caminho até um conjunto de instalações agropecuárias. As ruínas encontram-se a sul destas construções, com vista para a ria.

Coordenadas

N 37º 8' 40.8"

W 8º 36' 48.51"

Informações

Legislação/Proteção legal:

A villa romana da Abicada foi classificada como Monumento Nacional pelo Decreto n.º 35 817, publicado no Diário do Governo, 1.ª série, n.º 187 de 20 de agosto de 1946.

Serviço educativo e visitas guiadas:

Museu de Portimão

Tel.: + 351 282 405 230

Email: museu(a)cm-portimao(ponto)pt

Para contacto:

geral(a)cultalg(ponto)pt

Telef.: 289 896 070 / 289 803 633

História

Na época romana, uma villa era uma herdade onde se desenvolviam diversas atividades: agrícola, pastoril, piscícola ou marítima. Compunha-se por amplos terrenos férteis, por várias unidades de produção ("pars rustica") e pela habitação do proprietário ("pars urbana"). A parte do conjunto da villa romana da Abicada atualmente conhecida teria servido como residência do proprietário ("pars urbana"), pertencente provavelmente a uma família da elite urbana local. Foram identificadas alterações nesta construção realizadas entre os séculos I e IV d.C.

A "domus" (casa) era de planta rigorosamente geométrica, composta por três construções unidas a sul por uma galeria sustentada por colunas ou em pórtico, "que abria a vista para a ria e para o mar".

Os pavimentos estavam decorados com mosaicos de alta qualidade com composições vegetalistas e geométricas onde pontuavam estrelas de oito losangos, cálices, ramagens, volutas, estrelas e nó de Salomão feitas de pequenos cubos pétreos ("tesselae") de diversificadas cores. Os especialistas defendem que este conjunto de mosaicos terá sido executado nos séculos II e III, verificando ainda a existência de mosaicos tardios, correspondentes ao século IV.

A construção A, com uma sala central de planta quadrangular rodeada por colunas, poderia funcionar como zona social e de refeições. O corpo central (construção B) era a parte privada da casa: organizava-se em torno de um pequeno pátio de forma hexagonal descoberto com um tanque de repuxo no centro, rodeado por um pórtico, por onde se acedia aos quartos de dormir ("cubiculae"). A construção C funcionaria como área de serviço e apoio com cozinha, sendo os pavimentos em tijolo.

As estruturas descobertas indiciam que a Abicada integra-se no tipo de "villa marítima" descrita por Columela, agrónomo latino que viveu na época de Nero (séc. I d.C.). Esta construção rural mediterrânica enquadra-se numa arquitetura de influência norte-africana. A arte mosaística reflete igualmente a influência africana pela forma livre como os temas foram aplicados nos painéis.

Junto da residência existia possivelmente um cais que permitia o acesso navegável à ria e ao mar.

Um conjunto de tanques e muros situados junto da margem (construção D) seriam dedicados à salga de pescado e produção de pasta de peixe ("garum"), atividades económicas comuns na época.

Planta

Paisagem

A "villa" romana da Abicada situa-se numa península entre as ribeiras do Farelo e da Senhora do Verde, em ambiente estuarino da Ria de Alvor.

Localizada a cerca de 3200 metros do mar, a Abicada encontra-se implantada 4 a 10 metros acima do nível médio do mar, desfrutando do aprazível ambiente lagunar deste rico habitat.

A Ria de Alvor encontra-se integrada na Convenção Internacional sobre Zonas Húmidas e na Rede Natura 2000, eixo da política europeia de conservação da natureza.

A pequena vila piscatória do Alvor teria sido desde a Antiguidade posto de vigilância e defesa deste importante sistema lagunar.

História do Achado

A notícia da sua descoberta aconteceu em 1917, publicada na revista "O Arqueólogo Português", por José Leite de Vasconcelos, diretor do Museu Nacional de Arqueologia de Lisboa. José Formosinho, fundador do Museu de Lagos, realizou escavações arqueológicas no local em 1938, tendo várias estruturas deste conjunto sido então destruídas pelo proprietário.

Investigadores desenvolveram a análise das técnicas construtivas, estudo estilístico dos mosaicos, tentaram interpretar a funcionalidade dos espaços e determinar a data da sua construção.

A DRCAlgarve realizou uma intervenção de emergência de consolidação dos muros e salvamento dos painéis de mosaicos, encontrando-se parcialmente expostos no Museu de Portimão e no Museu de Lagos.

Bibliografia

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